“A Arte Somos Nós” evoca a expressão “A revolução somos nós”, de Joseph Beuys, quando o conceito de escultura social foi aplicado em suas proposições artísticas para desencadear ações que viessem proporcionar uma experiência integrada do fruidor com a obra e, consequentemente, com o mundo.

Tratava-se de uma estratégia que fosse além da experiência estética, ou melhor, que despertasse a consciência do indivíduo a partir do embate direto com a obra, para que ele próprio desse sentido estético ao que lhe era apresentado e, ao fazê-lo, emancipar-se-ia das esferas da vida cultural, espiritual, econômica e política.

Em “A Arte Somos Nós”, Zimaldo Melo nos estimula ao prazer, ao gozo e à satisfação da experiência ao colocar-nos como espectador ativo que faz a obra acontecer juntamente com o artista – por vezes com a máquina programada por ele. A troca de estímulos entre obra e espectador faz da fruição uma experiência singular, onde o ambiente expositivo se torna a plataforma viva desta singularidade.

Linguagens tradicionais como desenho, pintura e gravura convivem com recursos da arte-programação para proporcionar ao partícipe-executor da obra uma experiência real da arte, similar à visão de John Dewey de que “a arte faz algo diferente de conduzir a uma experiência. Constitui uma experiência. E o faz transcendendo os significados acumulados e revelando novas possibilidades”. Assim, games e máquinas são criados para fazer da experiência um jogo imbricado em conceitos filosóficos e estéticos, que vão além da “brincadeira despretensiosa” e nos fazem pensar na experiência artística e estética como algo que vá além das camadas superficiais da também despretensiosa contemplação.

Os sistemas binários são combinados em fluxogramas e transformados em códigos sensíveis à presença humana para criar a diversão, mas uma diversão entrecruzada por referências artísticas importantes que fazem de cada trabalho um estágio para reflexão do fazer artístico.

Na associação dos títulos dos trabalhos com artistas ou com obras específicas, os conteúdos relacionados ao tema das artes gráficas são postos em xeque ao tratar as ações realizadas por princípios da serialidade como ações únicas ou a reprodutibilidade técnica como irreprodutibilidade digital. A unicidade da obra é levada a cabo em cada operação: na aleatoriedade colaborativa do desenho e da pintura, no gotejamento de cores por algoritmos, no percurso da bola que traça linhas de cor, na visualidade musical ou na instantaneidade do desenho.

Zimaldo Melo nos oferece uma oportunidade de socialização através destas operações, não só disponibilizando meios para nos integrarmos tecnologica, ludica e prazeirosamente ao proposto, como também para afirmarmos a uma só voz: a arte é feita por todos nós!

Antonio Carlos Portela e Dilson Midlej
Professores do Curso de Bacharelado em Artes Visuais – UFRB.

“A Arte Somos Nós” evoca a expressão “A revolução somos nós”, de Joseph Beuys, quando o conceito de escultura social foi aplicado em suas proposições artísticas para desencadear ações que viessem proporcionar uma experiência integrada do fruidor com a obra e, consequentemente, com o mundo.

Tratava-se de uma estratégia que fosse além da experiência estética, ou melhor, que despertasse a consciência do indivíduo a partir do embate direto com a obra, para que ele próprio desse sentido estético ao que lhe era apresentado e, ao fazê-lo, emancipar-se-ia das esferas da vida cultural, espiritual, econômica e política.

Em “A Arte Somos Nós”, Zimaldo Melo nos estimula ao prazer, ao gozo e à satisfação da experiência ao colocar-nos como espectador ativo que faz a obra acontecer juntamente com o artista – por vezes com a máquina programada por ele. A troca de estímulos entre obra e espectador faz da fruição uma experiência singular, onde o ambiente expositivo se torna a plataforma viva desta singularidade.

Linguagens tradicionais como desenho, pintura e gravura convivem com recursos da arte-programação para proporcionar ao partícipe-executor da obra uma experiência real da arte, similar à visão de John Dewey de que “a arte faz algo diferente de conduzir a uma experiência. Constitui uma experiência. E o faz transcendendo os significados acumulados e revelando novas possibilidades”. Assim, games e máquinas são criados para fazer da experiência um jogo imbricado em conceitos filosóficos e estéticos, que vão além da “brincadeira despretensiosa” e nos fazem pensar na experiência artística e estética como algo que vá além das camadas superficiais da também despretensiosa contemplação.

Os sistemas binários são combinados em fluxogramas e transformados em códigos sensíveis à presença humana para criar a diversão, mas uma diversão entrecruzada por referências artísticas importantes que fazem de cada trabalho um estágio para reflexão do fazer artístico.

Na associação dos títulos dos trabalhos com artistas ou com obras específicas, os conteúdos relacionados ao tema das artes gráficas são postos em xeque ao tratar as ações realizadas por princípios da serialidade como ações únicas ou a reprodutibilidade técnica como irreprodutibilidade digital. A unicidade da obra é levada a cabo em cada operação: na aleatoriedade colaborativa do desenho e da pintura, no gotejamento de cores por algoritmos, no percurso da bola que traça linhas de cor, na visualidade musical ou na instantaneidade do desenho.

Zimaldo Melo nos oferece uma oportunidade de socialização através destas operações, não só disponibilizando meios para nos integrarmos tecnologica, ludica e prazeirosamente ao proposto, como também para afirmarmos a uma só voz: a arte é feita por todos nós!

Antonio Carlos Portela e Dilson Midlej
Professores do Curso de Bacharelado em Artes Visuais – UFRB.